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Terça, 15 Março 2011 00:00

Num momento em que, a pretexto da crise e da pertinência quanto à redução da despesa pública, encontramos uns “fazedores” de opinião, bem assim como alguns agentes políticos que identificaram as Juntas de Freguesia como autênticos “bodes expiatórios”, importa que se opine, tendo em vista o exercício do contraditório.

 Até parece que as Freguesias que, legalmente, estão impedidas de pedir empréstimos, são as responsáveis pelo endividamento público !

Na verdade, vamos assistindo a alguns dislates, proferidos por alguns, que apontam a necessidade de redução do número de Freguesias, como sendo a solução de todos os problemas.

 

Para outros, também é verdade que lhes convém alimentar o discurso e, mais do que isso, até lhes convinha que tal sucedesse, na medida em que deixariam de ter algumas vozes reivindicativas, que perturbam a autocracia de uns quantos Presidentes de Câmara e, até, de alguns dirigentes de outras Instituições.

 

Lamentavelmente, não encontramos ninguém a defender, por exemplo, a redução do número de Municípios – seria incoerente com o facto de terem defendido o seu aumento recente.

 

Ora, em boa verdade, também entendo que o número de Freguesias devia reduzir-se, como reduzido devia ser o número das nossas instituições públicas (para que servem, hoje, os Governos Civis?), bem assim como o número de Municípios, mediante um desenho que corresponda aos anseios das populações, que dêem resposta aos seus problemas e que não constituam mais um obstáculo à participação cívica dos cidadãos.

 

É que, os limites das Freguesias, ou dos Municípios, não podem, não devem, corresponder a estratégias de poder pessoal seja de quem for, nem sequer a uma divisão com régua e esquadro.

 

Porque é que, por exemplo, o Porto, Matosinhos, Gondomar, Vila Nova de Gaia, e a Maia, terão de ter os actuais limites e não se redesenha o respectivo território, na justa medida em que nada se pode ou deve fazer de costas voltadas, já que muitas das políticas têm que ser concertadas? Veja-se, por exemplo, em matéria de rede viária, transportes, urbanismo, etc.

 

Por outro lado, há que atender á cultura própria de cada local, às raízes das suas gentes.

 

No caso da Foz do Douro, estamos perante uma Freguesia considerada de média dimensão, com cerca de 11 000 eleitores, situada na cidade do Porto, junto à Foz do Rio Douro, bem encaixada entre o Rio de cuja Foz tomou o nome e o oceano Atlântico, com uma vida própria, com algumas características arquitectónicas peculiares, com um movimento associativo fortíssimo, ciosa das suas tradições sócio culturais que teima em manter vivas.

 

Ali vive gente bairrista, generosa, que teima em dizer que “vai ao Porto”, assim mantendo a sua identidade.

 

E, apesar disso, poderá, perante uma qualquer reforma mal pensada, ver prejudicada esta realidade.

 

Ora, o povo que mata ou apaga as suas tradições, as suas raízes, elimina a sua própria origem como povo – mata-se a si próprio.

 

É neste contexto que o presente SITE pretende ser um instrumento de discussão, de recolha de informação e de propostas sobre a Foz do Douro, bem assim como de exibição de factos e testemunhos – mesmo que fotográficos – do nosso passado como burgo, pelo que aqui fica um desafio para que todos aqueles que o entendam fazer, partilhem as respectivas opiniões, utilizando as ferramentas electrónicas que hoje estão ao nosso dispor.

 

Entretanto, apresento a todos os que nos visitam, os meus respeitosos cumprimentos.

 

O Presidente da Junta

 

José Pinto Ferreira

   2011.03.14

Actualizado em ( Sexta, 05 Agosto 2011 09:12 )
 
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